quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Um mês de administração interina em Presidente Lucena

Um mês já se passou com o governo interino no município e, ao que tudo indica, não teremos um prefeito definitivo nos próximos 30 dias. Enquanto isso, sob a chefia da vereadora Denise Raquel Vogel Staudt, a prefeitura segue seu ritmo normal e algumas propostas interessantes estão sendo colocadas em prática. Podemos destacar os projetos Informatizando a Terceira Idade e Leitura Familiar.

Acesso a propriedades
Um problema no município sempre foi a conservação dos acessos às propriedades particulares. Cada vez que alguém precisava fazer a manutenção da estrada em suas terras, tinha que solicitar o serviço na prefeitura e essa não dispunha de amparo legal para sua execução. A prefeita Denise criou uma lei determinando que quem tiver estrada particular de até 800 metros pode contar com duas cargas de saibro e duas horas de máquina por ano. Basta protocolar o pedido no centro administrativo.

Água em Linha Nova Baixa
As chuvas desta quarta e quinta-feira foram importantes para a lavoura de toda a região. Mas, em Linha Nova Baixa não é só essa água que traz alegria. Neste mês de janeiro, a prefeitura encontrou a solução para a falta d’água potável que incomodava boa parte daquela comunidade. Em função da localização dos reservatórios, as residências nos pontos mais altos ficavam prejudicadas. As caixas d’água foram transferidas para local mais elevado e todos estão felizes com o abastecimento.

Câmara em recesso
A Câmara de Vereadores estará em recesso durante o mês de fevereiro. A próxima sessão ordinária acontece no dia 4 de março, no horário convencional das 19h30min, pois já terá se encerrado o Horário de Verão. Até lá, poderá ocorrer alguma convocação extraordinária, caso a prefeita encaminhe projetos para votação urgente.

Educação Infantil
Na próxima segunda-feira iniciam as atividades dos funcionários da Escola de Educação Infantil Ursinho Carinhoso e na terça começa o atendimentos aos alunos das turmas dos berçários, maternais e pré integral. As aulas do pré A e pré B iniciam no dia 25 de fevereiro, juntamente com as aulas das escolas municipais de ensino fundamental.

Vacinação do rebanho
A partir da próxima semana, o rebanho bovino do município estará sendo vacinado contra a febre aftosa. Segundo o secretário da Agricultura, Rodrigo Vogt, cada produtor será avisado da data da vacina em sua propriedade e este deverá deixar o gado preso um dia antes.

Kerb de Picada Schneider
Tradicionalmente, os bailes do Salão Vogel, em Picada Schneider, são um sucesso. Não poderíamos esperar outro resultado para o kerb realizado no último sábado. A música e a comida típica alemã, aliadas a hospitalidade da comunidade local, levam gente de toda a região aos eventos do Vogel. O baile, animado pelo Musical Encontro, teve até transmissão ao vivo da Rádio Imperial FM.

Começa o Futsete
Começa nesta sexta-feira, às 19h30min, no Centro de Esportes, em Linha Nova Baixa, a disputa da 5ª edição do Municipal de Futsete. O campeonato, promovido pela Secretaria da Educação, Cultura e Desporto em parceria com o CMD, contará com a participação de 12 equipes. O Rodeio é o atual campeão e o Salão Vogel o vice.

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Perto da definição

Nos próximos dias deverá sair a decisão da Justiça Eleitoral quanto a eleição majoritária de Presidente Lucena. Saberemos, então, se haverá uma eleição suplementar ou se assume a segunda colocada no pleito de outubro último. Digo isso por que nesta semana o TSE anunciou que outros 14 municípios brasileiros já estão com eleições suplementares com data marcada. Nesses lugares, a eleição de outubro de 2008 foi considerada nula, por ter o candidato mais votado conseguido mais de 50% dos votos válidos e seu registro de candidatura ter sido indeferido.

Dando conta do recado
A falta de um prefeito definitivo não está afetando o município. A vereadora Denise Raquel Vogel Staudt vem desempenhando ao contento a chefia do Executivo e tudo transcorre dentro da normalidade. Denise, inclusive, encaminhou para a Câmara um projeto interessante, que trata da implantação do Programa de Atividades Múltiplas ao Estudante (Pame). São oficinas que ocorrerão nas escolas oferecendo várias atividades aos estudantes no turno oposto aos das aulas normais.

Câmara tranquila
Se a atuação da presidente da Câmara está sendo satisfatória à frente da Prefeitura, o mesmo pode ser dito da vice, Marlene Koepsel Backes, comandando os trabalhos no Legislativo. São as mulheres lucenenses mostrando sua competência.

Comissão de Pareceres
Na sessão de quarta-feira, Marlene, talvez pela sensibilidade feminina, resolveu com habilidade o problema levantado pelo vereador Airton José Weber quanto às reuniões da Comissão Geral de Pareceres. Ele reclamou das interrupções e intromissões de quem não faz parte da equipe. Ocorre que as reuniões eram feitas na sala de estar (poderíamos dizer, do cafezinho). Marlene determinou que, a partir da agora, a comissão faça seus encontros na sala da presidência. Até uma placa ela mandou colocar na porta: “Sala da Comissão Geral de Pareceres”.

Recesso em fevereiro
Em muitos municípios, as câmaras de vereadores entram em recesso antes do natal e só voltam em fevereiro. Em Presidente Lucena as atividades são interrompidas nos feriados de natal e ano novo, depois seguem as sessões normais durante o mês de janeiro. Recesso só em fevereiro. Isso é bom, pois no início de cada ano, sempre tem assuntos importantes a serem tratados. Para melhorar ainda mais, sugiro que se pense, para o futuro, em acabar com o recesso no primeiro ano de cada nova legislatura. Afinal, quem se elegeu em outubro, chega ao mês de janeiro com muita disposição para iniciar seu trabalho como representante do povo. Aí, acontecem quatro reuniões e para tudo até março.

Espaço para os suplentes
Bem, podem os reeleitos reclamarem que não poderão tirar férias se for colocada em prática essa ideia. Pois eu digo que todos devemos descansar, e quem se reelege pode, tranquilamente, se licenciar no mês de dezembro, dando oportunidade aos suplentes.

Baile de Kerb
Acontece neste sábado, o Baile de Kerb do Salão Vogel, em Picada Schneider. O ingresso individual antecipado, concorrendo a cinco prêmios, entre eles uma TV 20”, custa R$ 5,00 (na noite o preço é R$ 7,00 por pessoa). Sempre ressaltando que também haverá janta de kerb. A animação da noite ficará por conta do Musical Encontro.

Municipal de Futsete
Ontem à noite realizou-se a primeira reunião para tratar sobre a V edição do Municipal de Futsete. A competição poderá iniciar ainda neste mês de janeiro. O atual campeão é o Rodeio e o Salão Vogel é vice.

Gott segne Präsident Lucena
Ich bitte Gott, um segen der gesamten gemeinschaft und ordnungsgemäße funktionieren der Präsident Lucena!

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Espera desgastante

A morosidade, embora compreensível, na definição do pleito majoritário de Presidente Lucena causa um desgaste que, no mínimo, em nada ajuda o município. Já se passaram praticamente três semanas desde a posse dos eleitos e a prefeitura está acéfala. Digo isso sem demérito algum à vereadora Denise, que, por força da lei, ocupa interinamente o cargo de prefeita. Ocorre que, por mais boa vontade e competência que ela tenha, não se sabe até quando permanecerá no cargo e isso prejudica, com certeza, o andamento dos trabalhos.

Clima de campanha
E enquanto a Justiça Eleitoral não dá o seu veredicto, o clima é de campanha, principalmente na Câmara de Vereadores. Foi o que se viu na sessão de quarta-feira à noite, com discussão e troca de farpas por questões que normalmente não causariam tanto furor. O embate não saiu da normalidade, do aceitável, mas mostra a animosidade das duas frentes que disputam o poder municipal.

Bom comportamento
A sessão do Legislativo começou monótona, com uma demorada leitura da ata da reunião anterior, mas, quando foi aberta a palavra para os vereadores, a situação mudou da água pro vinho. O experiente Airton José Weber foi à Tribuna e orientou os novos quanto a alguns procedimentos de praxe na Casa, e não deixou passar a oportunidade de cutucar seu opositor, Janier Camargo, que nesta legislatura é suplente. Janier, também com boa vivência legislativa, não perdeu a pose e apenas lembrou ao colega que, feito o juramento, todos que ocupam uma cadeira na Câmara devem ser respeitados de forma igual.

Leitura das atas
A propósito das sessões da Câmara, sabe-se que é regimental que se comece a reunião com a leitura da ata anterior. Mas isso não obriga que a tarefa seja do secretário da Mesa. Sem nenhum arranhão no Regimento da Casa, o secretário executivo poderia ser designado para as leituras. Vejo nessa mudança, pelo menos, dois pontos positivos. O primeiro e mais importante: a leitura seria mais rápida e menos cansativa para os vereadores e a assistência. O segundo ponto relevante dessa mudança: isso pouparia o vereador Marcos Aurélio Heylmann desse esforço por fazer algo que não é sua especialidade. Vale ressaltar que o vereador não tem obrigação de ser um exímio leitor. Os votos que lhe foram confiados, com certeza, foram por outras virtudes.

Discute-se mesmo
Nas poucas vezes que acompanhei reuniões da Câmara de Presidente Lucena, sempre me chamou a atenção, para o lado positivo, a forma como os assuntos são discutidos. Nestes meus quase 30 anos de atividade jornalística, vi todo o tipo de discussão. Tem aquelas onde um vereador fala e os outros parecem que não estão nem ai, outras onde um fala sobre um assunto e o outro entra com uma conversa bem diferente. Pois em Presidente Lucena se discute mesmo. Começa-se um assunto e já alguém pega o seu microfone e retruca ou complementa, outro reclama da argumentação. É uma conversa franca sobre o assunto. Ou seja: discussão no sentido mais puro da palavra.

Tribunal Regional Eleitoral
As primeiras sessões plenárias do Tribunal Regional Eleitoral em 2009 acontecerão a partir da próxima segunda-feira, dia 19. Dentre os assuntos já pautados para este mês estão representações por propaganda eleitoral irregular, processos de prestação de contas e pedidos de impugnação de pesquisa eleitoral. Espera-se que também entre nessa leva a decisão sobre a realização, ou não, de nova eleição no município.

Cadê o convite
No último sábado aconteceu a solenidade de formatura do 3º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Guilherme Exner. Dentre os nomes para compor a mesa principal foram chamados os vereadores Marlene Koepsel Backes, presidente da Câmara, e Janier Camargo, presidente do Conselho Escolar. Nem um dos dois estava presente e isso gerou alguns comentários e cobranças. Os dois vereadores nos procuraram esta semana para dizer que eles não foram convidados para o evento. Fica a interrogação sobre o destino destes convites. Os dois garantem que não fariam essa desfeita aos estudantes e ao educandário.

Baile de Kerb
Mas nem só de política vive o lucenense. E seguem os preparativos o Baile de Kerb do Salão Vogel, em Picada Schneider, marcado para o próximo dia 24. O ingresso individual antecipado, concorrendo a cinco prêmios, entre eles uma TV 20", custa R$ 5,00 (na noite o preço é R$ 7,00 por pessoa). Vale ressaltar que também haverá janta de kerb. A animação da noite ficará por conta do Musical Encontro.
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sábado, 3 de janeiro de 2009

A prefeita interina de Presidente Lucena


Um ano atrás, ou seja, na virada de 2007 para 2008, Denise sequer pensava ser candidata a vereadora, muito menos imaginava a possibilidade de assumir o posto de primeira mandatária de Presidente Lucena. Mas a vida nos reserva surpresas e para a professorinha de vida simples, criada na localidade de Picada Schneider, foi essa: ser prefeita interina do município, sem nunca ter ocupado qualquer cargo eletivo. E, como nunca se assustou com o trabalho, às 7 horas da manhã do dia 2 de janeiro de 2009, lá estava Denise Vogel Staudt despachando no tão cobiçado gabinete do prefeito.  Da janela da sua nova sala, ela pode ver o morro que costumava subir de carroça para trabalhar na roça. Um passado do qual tem orgulho e saudades.
Com o jeito simples e cordial da grande maioria da população de Presidente Lucena, e ainda sem a malícia da grande maioria dos políticos, Denise nos conta um pouco da sua história, pois sua rotina nestes últimos dias está passando por mudanças radicais. O cargo de prefeita interina, ela bem sabe, pode se encerrar hoje ou amanhã, visto que a Justiça Eleitoral, voltando do recesso de final de ano, poderá determinar que Bea e Arlindo Vogel assumam imediatamente (O que para Denise seria motivo de grande alegria.). Caso venha a se confirmar a realização de uma nova eleição para prefeito, então a atual presidente da Câmara de Vereadores permanecerá à frente da Prefeitura por um período não inferior a dois meses.
Filha mais velha do casal Verinha e Arlindo Vogel, Denise não fugiu à regra, cresceu aprendendo as lidas da vida simples da colônia. Dividia o seu tempo entre os livros da escola e os cuidados com a criação, a ordenha do gado, o cabo da enxada. Cursou magistério no IEI, em Ivoti, e logo passou a lecionar na Escola Borges de Medeiros, na sua localidade de origem. E mesmo depois de casada, passando a residir em Nova Vila, continuou trabalhando na escola de Picada Schneider. A paixão pelo esporte (fanática pelo Grêmio, como o pai), levou Denise a cursar Educação Física na Feevale, em Novo Hamburgo.

Prefeita Denise, responda, primeiro, aquela pergunta que todos gostariam de fazer: A senhora algum dia imaginou que viria a ser prefeita?

Realmente eu não esperava que isso acontecesse. Eu aceitei concorrer a vereadora influenciada pelo meu pai que atua na política há muitos anos e pelo trabalho comunitário que desenvolvo em Picada Schneider e mais recentemente também em Nova Vila.

E quando foi que a professora Denise, eleita vereadora, percebeu que poderia ocupar o cargo de prefeita?

No mês de dezembro, diante da situação da eleição majoritária, começamos a nos reunir para discutir a possibilidade de o presidente da Câmara ser o prefeito interino.  Como a gente tinha a maioria dos vereadores, eu fui a escolhida para concorrer a presidência. Mas isso não dava certeza de que eu seria a escolhida. Era preciso esperar a posse e a eleição da mesa da Câmara.

E a senhora, estreando na política, se sente preparada para esse desafio?

Nas últimas semanas de dezembro, eu passei a acompanhar de perto o trabalho do prefeito Beto Stoffel, e me interei do andamento da Administração Municipal. Até porque, no início da gestão, muitos contratos, principalmente na área da Saúde, precisam ser renovados, a responsabilidade é muito grande e eu não gostaria de estar aqui só para assinar papéis sem saber do que se trata. Preciso aprender muito ainda, mas também conto com a experiência do meu pai que conhece muito bem todos os trâmites da Prefeitura e conto com a cooperação dos servidores municipais.

Seu período de mandato será curto, sabe-se que a senhora não elaborou um plano de governo. Mesmo assim, há alguma coisa especial que a cidadã Denise, aproveitando essa oportunidade, pretenda realizar como prefeita?

Sempre existem coisas a serem feitas, mesmo reconhecendo o bom trabalho do prefeito Beto Stoffel. E não precisam ser grandes obras. Acho importante qualquer esforço no sentido de aproximar as escolas das nossas comunidades, o que aliás já vem sendo feito em Presidente Lucena. É muito importante que cada comunidade possa usufruir da estrutura da sua escola, como, por exemplo, a área de lazer.

Fala-se muito em progresso do município. Presidente Lucena é invejável pela sua tranqüilidade, sem poluição, sem problemas urbanos, sem a miséria dos grandes centros. O que falta ao município?

Essa é uma questão interessante. Precisamos nos preocupar com a geração de empregos, mas não seria o caso de criarmos um grande pólo industrial. Tem que prevalecer o bom senso. O progresso poderá trazer conseqüências indesejáveis.

O ex-prefeito Beto Stoffel é carismático e atencioso com toda a comunidade. A professora Denise também sabemos que é. E agora, da prefeita Denise pode-se esperar a mesma coisa?

Com certeza. Muda a rotina, os compromissos e a responsabilidade aumentam, mas eu continuo a mesma Denise que todos conhecem em Presidente Lucena. Eu fico na prefeitura por pouco tempo e quero aproveitar ao máximo para aprender, pois isso vai me ajudar nos quase quatro anos que terei para desempenhar meu mandato de vereadora.

Qual a mensagem final da prefeita para os seus munícipes?

Eu agradeço a comunidade de Presidente Lucena pela confiança e apoio, agradeço também aos meus familiares e desejo que todos nós tenhamos um ano abençoado e cheio de paz.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Sentimento natalino

Eu nunca me dei muito bem com essas datas (Natal e Ano Novo). Me bate uma nostalgia, tenho saudades do meu tempo de criança, lembro de uma ocasião que fizemos uma encenação na Igreja em São Chico entrando vestidos de anjos enquanto os adultos cantavam "Nasce Jesus".Depois disso, sempre foi faltando alguma coisa ou alguém. E acaba batendo a tristeza.E além disso, o verdadeiro sentido do Natal parece tão abandonado. É festa, presentes, desperdício em nossas mesas.Enquanto isso, tanta gente passando necessidade, sem esperança.Mesmo assim, só me resta pedir a Deus que abençoe os meus amigos e que não percamos de vista o ensinamento de Jesus!

domingo, 21 de dezembro de 2008

Que mundo temos construído para vivermos

Essa imagem, que encontrei no ClicRBS, mostra o quanto nós, seres humanos, somos selvagens e desrespeitamos nossos semelhantes.
Que sonho de vida deve ter essa menininha e que esperança ela pode ter?

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O sofrimento humano

(Mais um texto que elaborei para a disciplina Teologia e Metodologia Pastoral)

Se Deus é bom, como explicar tanta dor no mundo?

Ainda se não bastassem, as divergências e picuinhas entre os cristãos das diversas denominações, outro ponto crucial embaraça o crente e, às vezes, faz a sua fé balançar: o sofrimento humano. Se Deus é bom, e todo o religioso convicto tem essa certeza, não podemos atribuir o sofrimento à vontade do Criador. Por outro lado, se existe o mal, e não temos como negá-lo, pode ficar fragilizado o argumento de que Deus é bom e onipotente. Aqui, parece-me que se encaixa bem a tese de Santo Agostinho de que é preciso crer para compreender, pois só acreditando em Deus e na Boa Nova de Jesus Cristo podemos aceitar o sofrimento sem incorrer no tão comum erro de atribuí-lo aos desígnios do Criador.

O tema sofrimento humano tem tirado o sono de muitos cristãos, sejam eles teólogos ou leigos. Há, inclusive, algumas correntes de pensamentos neo-pentecostais que pregam que o verdadeiro crente está imune ao mal. Outros, também fundamentalistas, sem se darem conta que com isso estão tirando a bondade do Criador, atribuem o mal a vontade de Deus. Encontramos, ainda, aqueles crentes “pés no chão” que, racionalmente, aceitam a existência do mal e do sofrimento e o atribuem ao livre-arbítrio, à ganância humana, à falta de solidariedade. Esses últimos, embora, às vezes, lhes faltem argumentos para explicar o sofrimento, conseguem compreender que a dor humana independe do grau de fé que possuímos. Compreendem, inclusive, que a fé ajuda a suportar o sofrimento. Quando a pessoa tem fé, passa a impressão de que o sofrimento lhe aproxima ainda mais de Deus. Aliás, Jesus mesmo disse: “Felizes os que sofrem, pois herdarão o céu...”

Nada sintetiza melhor o sofrimento do que a paixão e morte de Jesus, na cruz. Ele pagou, injustamente, pelos pecados de toda a humanidade. Quando sofremos e suportamos a dor, experimentamos a cruz. Essa é a opinião do teólogo Martin Dreher em uma de suas obras. Ele usa a figura bíblica de Elias para falar sobre o sofrimento, ressaltando que na vida do profeta podemos perceber muito do que experimentamos em nossas vidas. Dreher chama atenção para os altos e baixos, glórias e derrotas na vida de Elias. Essas alternâncias existenciais permitiram que o profeta vivenciasse o que significa experimentar a cruz.
Desde os tempos mais remotos, a humanidade busca sempre a vitória, a glória. Foi assim com Elias, no monte Carmelo. Derrotar e humilhar os profetas de Baal, conforme o relato bíblico, foi uma glória para o profeta. E nós hoje, invocando esse mesmo Deus, buscamos sempre mais. Precisamos ser os melhores na escola, no trabalho, na sociedade. E quando isso ocorre, comportamo-nos de forma ainda mais cruel do que Elias. Ele atribuía a seu Deus a vitória, enquanto nós, na maioria das vezes, esquecemos de Deus quando somos bem sucedidos.
Mas Deus, na sua infinita bondade, veio ao mundo para mostrar-nos que a verdadeira vitória não está em derrotar os nossos desafetos. Jesus Cristo, encarando a natureza humana, venceu o mundo e a morte, com o verdadeiro amor, compadecendo-se com os que sofrem, chorando com os enlutados, querendo o bem até mesmo daqueles que o desprezam. E o seu sofrimento foi ao extremo, até a morte na cruz.
Jesus ensinou que o seu reino não era desse mundo e nós, no momento de maior dor que é o da morte de nossos entes queridos, usamos uma liturgia pascal. Mas isso não nos deve tornar insensíveis, pois o próprio Jesus chorou diante da sepultura de seu amigo Lázaro.

Depois de ter sido ateu por muitos anos, C. S. Lewis, em seu livro “O Problema do Sofrimento”, enfatiza que é preciso uma reflexão muito profunda para que possamos discorrer sobre o tema sem passar aos incrédulos a idéia já corrente de que a religião é algo ingênuo e sem fundamento. Lewis ressalta que as criaturas provocam sofrimento ao nascer e vivem infligindo sofrimento e, além disso, são dotadas de razão, uma qualidade que lhes tornam capazes de prever o seu próprio padecer, sua própria morte. A história humana, em sua maior parte, é um registro de crimes, guerras, doenças e terror. E quando se é feliz, vivemos temendo perder essa felicidade.
Diante desse quadro, Lewis argumenta que não há como acreditar que isto seja obra de um espírito benevolente e onipotente. Toda a evidência aponta para a direção oposta, ou seja: que não exista um espírito por traz do universo ou que ele seja perverso e indiferente ao bem e o mal. Assim, Deus seria o oposto do que prega o cristianismo, pois seria inconcebível atribuir a um Criador sábio e bondoso a criação de um universo mau.
Este mesmo autor adverte que, em certo sentido, o cristianismo cria, em vez de resolver, o problema do sofrimento. Quando falamos da onipotência de Deus, devemos ter bem claro que ela significa poder para fazer tudo que é intrinsecamente possível e não para fazer o que é intrinsecamente impossível. Lewis também chama atenção para o fato de que Deus pode fazer milagres, mas não tolices. E isto não é um limite ao seu poder. Nem mesmo a Onipotência poderia criar uma sociedade de almas livres sem ao mesmo tempo criar uma natureza inexorável e relativamente independente. A liberdade de uma criatura deve significar liberdade de escolha e escolha implica na existência de coisas a serem escolhidas. Se estivéssemos num mundo que variasse conforme os caprichos do Criador, não haveria o exercício do livre-arbítrio. O que nos parece bom pode não ser bom aos olhos de Deus e o que nos parece mau pode não ser mau. A bondade divina diverge da nossa.
O problema de reconciliar o sofrimento humano com a existência de um Deus que ama só é insolúvel enquanto associamos um significado trivial à palavra amor e considerarmos as coisas como se o homem fosse o centro delas. Lewis observa que o homem não é o centro e Deus não existe por causa do homem. Quando queremos ser outra coisa que não aquela que Deus quer que sejamos, devemos estar desejando, de fato, aquilo que não nos fará felizes. Deus dá o que Ele possui e não o que não possui.

Ram Dass e Paul Gorman, no livro “Como Posso Ajudar? Estórias e Reflexões sobre Serviço”, ressalta que o sofrimento dos outros espontaneamente liberta nosso desejo de socorrer. Abrimos o coração, nos sensibilizamos com o problema, mas, segundo o livro, ai surge a preocupação quanto ao grau de exigência que o sofrimento alheio acarretará sobre nós. Aparece, então, o medo que é uma reação ao próprio sofrimento e uma reação de resistência à compaixão natural do coração quando este vai ao encontro de alguém para participar de sua dor. Enquanto o coração não conhece limites na doação de si próprio, a mente se sente chamada para estabelecer limites. Por isso nos parece tão difícil escolher como vamos responder à dor de outros.
Dass e Gorman destacam que talvez procuremos solucionar essa tensão sem realmente ter que abrir a porta ao sofrimento. Como uma descarga de consciência, visitamos, rapidamente, um amigo doente ou fazemos uma contribuição beneficente, mas será que essas medidas vão satisfazer os corações, o nosso e o de quem sofre? Ajudar significa muito mais do que isso. Muitas vezes abrimos a porta parcialmente, demarcando limites de tempo e espaço para nosso envolvimento com o sofrimento dos outros.
Jesus teve compaixão do povo humilde que sofria. Por isso alimentou multidões e curou muitas pessoas. Dass e Gorman argumentam que a compaixão vem normalmente à medida que nos abrimos para a experiência do sofrimento. Quando observamos o sofrimento dos outros e nos compadecemos deles, nossa mente se abre e encontramos o apoio da verdade viva para ajudar.

Tanto quanto é difícil falar sobre o sofrimento, é importante refletir sobre ele. E quanto menos buscamos conhecê-lo, mais incorremos no erro de atribuí-lo ao diabo ou até mesmo a Deus. Seguidamente ouvimos pessoas dizerem, quando vêem alguém sofrendo: “É a vontade de Deus!”, “Deus quis assim!”, “Deus sabe o que faz!”. E tanto se ouve isso que acabamos não nos dando conta que Deus não pratica o mal e nem paramos para perceber o quanto de culpa temos ou o quanto somos indiferentes ao sofrimento dos outros.
Mas quando, realmente, vivemos a experiência da cruz, passamos a enxergar o mundo com outros olhos e, seguindo o exemplo de Cristo, temos compaixão pelos que sofrem e sofremos com eles. E essa experiência de compartilhar a dor nos traz maturidade, coragem e serenidade para encarar as dificuldades e provações que a vida nos reserva.
E mesmo que tenhamos a tentação de pensar que Deus, criador de todas as coisas, é também responsável pelo mal, vale ressaltar, como disse C.S. Lewis, foram os homens e não Deus que inventaram a tortura, os chicotes, as prisões, a escravidão, as armas, as baionetas e as bombas. Também, a pobreza e o excesso de trabalho são produtos da avareza ou da estupidez humana e não uma distorção da natureza.
Talvez a humanidade não possa erradicar por completo o sofrimento, mas, com certeza, viveríamos muito melhor e conviveríamos mais tranqüilamente com o sofrimento, se buscássemos primeiro fazer a vontade de Deus e O colocássemos no centro de nossas vidas. E sempre vale lembrar que Deus mesmo se fez homem e viveu entre nós, sofrendo por nossas culpas, sem nunca perder a compaixão.

REFERÊNCIAS

DASS, Ram; GORMAN, Paul. Como Posso Ajudar? Estórias e Reflexões sobre Serviço. São Leopoldo: Editora Sinodal, 1987.

DREHER, Martin N.; Conversando sobre Espiritualidade, São Leopoldo: Editora Sinodal, 1992.

LEWIS, C. S.; O Problema do Sofrimento,Oxford. 1940.